terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Contenção Ortodôntica: higiênica ou tradicional?




  
Todos querem terminar o tratamento ortodôntico com um sorriso lindo e perfeito. A contenção ortodôntica fixa inferior é um dos artifícios utilizados para manter os dentes em posição após a retirada do aparelho fixo. Os dentes incisivos da arcada inferior costumam sair da posição com certa facilidade, por isso o uso de contenção fixa inferior é padrão para a maioria dos ortodontistas do mundo.
A contenção fixa é aquele fio metálico que o ortodontista cola na parte interna dos dentes inferiores da frente. Por ser colada por trás dos dentes, fica praticamente invisível enquanto garante que os dentes permaneçam em posição. Existem 2 tipos de contenções fixas: contenção reta ou ondulada (higiênica). Cada uma tem suas vantagens.


Contenção Ortodôntica Reta


A contenção reta é a mais simples. Um segmento de fio ortodôntico de aço inox (liso ou trançado) é adaptado e colado atrás dos 6 dentes anteriores inferiores, indo do canino do lado direito até o canino do lado esquerdo. Por isso é chamada de 3x3, por ser colada em 6 dentes). Alguns casos onde foram realizadas extrações de dentes inferiores o ortodontista faz a opção de colar 4x4, ou seja, de pré-molar à pré-molar. São casos específicos e o ortodontista saberá quando indicar este tipo de contenção fixa.
Para a colagem da contenção fixa são usadas pequenas porções de resina composta em cada dente, o mesmo material usado na colagem dos bráquetes. É importante que a quantidade de material seja suficiente para fixação da contenção nos dentes, mas deve haver um cuidado com o excesso de resina para que não dificulte a higienização.
Em relação à higienização é necessário lembrar que a contenção impede a passagem livre do fio dental. Será necessário o uso de um passa-fio, o uso de um fio dental encerado ou com ponta rígida (como o superfloss, por exemplo) para conduzir o fio entre os dentes e por baixo da contenção.
Imagem: Ortodontista.net

A limpeza daquela parte do dente que fica mais próxima à gengiva é fundamental para a prevenção de gengivite e outros problemas periodontais (relacionados à gengiva e osso da região destes dentes). Por outro lado esta contenção reta é bem mais confortável para o paciente pois fica bem junta aos dentes. 

Contenção Ortodôntica Ondulada - Higiênica
 


A contenção ondulada, também chamada de contenção higiênica, foi desenvolvida para permitir a passagem do fio dental sem a necessidade do passa-fio. Ela também é confeccionada com fio de aço ortodôntico, mas com um desenho ondulado em que o fio dental consegue descer em direção à gengiva nos intervalos entre os dentes.
Entretanto, esta contenção higiênica pode ser menos confortável que a contenção reta tradicional pois seu desenho ondulado pode incomodar a língua.
Estudos mostram que a contenção ondulada pode reter mais resíduos de alimentos que a reta, tendendo a inflamar mais a gengiva.

Comparação ente contenção convencional 3x3 e contenção modificada
  
Um interessante artigo publicado pela Dental Press mostrou a comparação, do posto de vista de saúde gengival, os dois tipos de contenção. Quinze voluntários primeiramente utilizaram a contenção tradicional por seis meses.
Após um intervalo de quinze dias, foi instalada a contenção modificada, utilizada pelo mesmo período de tempo. Antes de cada fase os voluntários passaram por uma boa limpeza dos dentes (raspagem e alisamento radicular) e orientação de higiene bucal. 
Ao final de cada fase os seguintes parâmetros foram avaliados: 
Índice de placa bacteriana, índice de cálculo dentário (tártaro) e questões relacionadas à saúde gengival. 
Além disso, foi realizada a mensuração do cálculo no fio da contenção e todos os voluntários responderam a um questionário sobre a utilização, aceitação e conforto dos dois tipos de contenções. 





Resultados e Conclusões da pesquisa
  1. O índice de placa e o índice gengival foram maiores para a contenção modificada, nas faces linguais e proximais, ou seja, lado interno e entre os dentes.  
  2. O índice de tártaro (cálculo dentário) ao longo do fio também foi maior para a contenção modificada. 
  3. Todos os voluntários relataram que a contenção convencional foi mais confortável na utilização. 
  4. Concluiu-se que a contenção convencional apresentou melhores resultados que a contenção modificada, de acordo com parâmetros periodontais estabelecidos, principalmente por acumular menos resíduos.

Importância do uso da contenção fixa
O risco de perda do alinhamento dos dentes anteriores inferiores é alto. Por isso o uso de uma contenção fixa, reta ou ondulada, é muito importante.
tempo da fase de contenção também é outro tópico polêmico, pois a literatura especializada preconiza uma série de protocolos diferentes para cada autor. Estabilizar os resultados do tratamento por um longo período pode ser mais difícil do que colocar os dentes na posição ideal. Devido a isso, é importante que o paciente esteja consciente que seguir as recomendações sobre uso das contenções seja tão importante.
Mas afinal, por quanto tempo deve-se usar a contenção? A ortodontia trabalha com metas e não com prazos. Depende da dificuldade de cada caso e de variáveis que nem sempre estão ao alcance do ortodontista (interposição de língua, tonicidade muscular, hábitos inadequados, alterações respiratórias, crescimento, entre outros). Após o tratamento ativo, a meta é manter os dentes em posição até que não haja mais ativação celular para movimentá-los.
Em pacientes adultos, costumo manter a contenção removível em uso contínuo (dia e noite) por no mínimo um ano e mais um ano somente no período noturno. Mas isto também não é regra, depende de cada caso. Quanto aos dentes inferiores, mantemos a contenção fixa colada na parte interna dos dentes da frente, que é uma das regiões mais instáveis da oclusão (mordida), preferencialmente por tempo indeterminado.
O paciente deve ser avaliado de forma individual e deve ser informando sobre os possíveis riscos x benefícios da remoção da contenção fixa para que, junto ao ortodontista, seja tomada a melhor decisão.



Fonte: Ortodontista.net. Artigo SHIRASU, B. K.; HAYACIBARA R. M.; RAMOS, A. L. Comparação de parâmetros periodontais após utilização de contenção convencional 3×3 plana e contenção modificada. R Dental Press Ortodon Ortop Facial v. 12, n. 1, p. 41-47, jan./fev. 2007.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Contenção Ortodôntica: por que devo usar?


O tratamento ortodôntico, com aparelhos fixos ou removíveis, é dividido em duas etapas: fase ativa, durante a movimentação dos dentes, e fase passiva, durante o período da contenção. Os pacientes não recebem alta total logo ao remover o aparelho, seja ele fixo ou removível. Mesmo após o final do tratamento o paciente deve retornar de forma periódica ao ortodontista até que os dentes estejam totalmente consolidados no osso do paciente. Este período é chamada de Fase de Contenção.
Durante esse período de acompanhamento é recomendado que o paciente use um aparelho móvel e/ou uma contenção fixa, que ajudará os dentes a se estabilizarem no novo posicionamento conquistado com o aparelho ortodôntico.
Contenção Superior
Na maxila (arco dentário superior), a contenção mais comumente utilizada é uma placa removível confeccionada com acrílico, sustentada por segmentos de fio ortodôntico de grosso calibre (conhecida como Placa de Hawley). O paciente deve seguir rigorosamente as orientações do ortodontista, quanto ao modo e tempo de uso da sua contenção. Além disso, deverá dedicar alguns cuidados especiais no que diz respeito ao seu armazenamento e higiene.
  

O tempo necessário de uso do aparelho de contenção removível (aparelho móvel) pode variar de paciente para paciente, dependendo da dificuldade do caso, da idade do paciente, entre outros fatores. Normalmente o aparelho móvel é usado nos 12 meses iniciais de forma continua (24 horas por dia) sendo removido apenas para a alimentação e higienização do paciente, e por mais 12 meses com uso exclusivamente noturno.
Contenção Inferior
Na mandíbula (arco dentário inferior), a contenção mais utilizada é fixa e é conhecida como 3x3, assim chamado por ser colada nos 6 dentes da frente, 3 do lado direito e 3 do lado esquerdo. Este dispositivo é confeccionado com fio ortodôntico o qual é contornado e colado à superfície interna dos dentes incisivos e caninos inferiores (ântero-inferiores).
 

No caso destas contenções fixas a orientação é mantê-la por 5 anos em média. Em alguns casos é possível removê-las bem antes, outros casos orientamos deixá-las por mais tempo. Cada paciente necessita de uma avaliação individual e deve ser pensado sobre os prós x contras da remoção da contenção fixa inferior. Porém, o paciente deve ser orientado pelo ortodontista que por se tratar de uma região de pouca estabilidade dentária o uso desse tipo de contenção por períodos maiores pode ser benéfico.
A higienização deste tipo de contenção deve ser muito criteriosa fazendo uso de escova dentária e fio dental, conforme orientação do seu ortodontista.  Caso ocorra o seu descolamento você deverá procurar o seu ortodontista imediatamente para que possa ser realizada sua recolagem.

Qual a importância dessa Fase de Contenção?

Após a remoção do aparelho fixo, os dentes apresentam um grande potencial de voltar à sua posição inicial. Dessa maneira as contenções serão os dispositivos que permitirão que os dentes se acomodem em sua nova posição enquanto existe uma renovação e maturação das fibras gengivais.
Não esqueça que somente o ortodontista poderá determinar o tempo que você irá utilizar as contenções, portanto siga as recomendações dadas por ele e vá periodicamente às consultas.

Após esta Fase de Contenção, o seu tratamento ortodôntico estará finalizado e com certeza você terá mil motivos para sorrir!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Aparelho com dentes de leite?




A correção dos dentes com aparelho ortodôntico se tornou um procedimento bem conhecido e comum, principalmente durante os últimos anos. Por muito tempo afirmou-se que a melhor época para "colocar aparelho" seria após terminar a troca dos dentes. Atualmente já é possível realizar o diagnóstico precoce e tratamentos preventivos podem ser iniciados por volta dos 4 ou 5 anos de idade.


Aparelho antes da troca dos dentes

O sorriso e a face como um todo são fundamentais para a aparência pessoal e interfere na vida social, afetiva, familiar e profissional. O tratamento precoce ajuda a evitar situações constrangedoras e brincadeiras pejorativas, comuns entre crianças e adolescentes.

A fase em que a criança ainda tem dentes de leite é o melhor período para iniciar o tratamento ortodôntico preventivo. A Ortodontia Pediátrica visa estimular o correto desenvolvimento das arcadas dentárias e do rosto em todo o seu potencial de beleza. Por volta dos 4 anos de idade conseguimos ver em radiografias se irá faltar espaço para os dentes que ainda não irromperam. Se for diagnosticado falta espaço para os futuros dentes permanentes, mordida cruzada ou outros problemas comuns, o uso de um aparelho apropriado é indicado para corrigir o problema o quanto antes, com o objetivo de evitar a necessidade de longos tratamentos com aparelho fixo no futuro e até mesmo extrações de dentes por falta de espaço.



Interferir no momento certo

Os problemas mais comuns que afetam a beleza do rosto e à mordida correta estão ligados à respiração incorreta, mastigação e deglutição inadequados, uso de chupeta e mamadeira, ranger e apertar de dentes. Ao realizar as funções de modo errado, durante anos consecutivos, a forma do rosto e da mordida é alterada. Sem cuidados na infância, haverá reflexos que irão se projetar negativamente no futuro.

As alterações no crescimento ósseo do rosto, apesar de serem perceptíveis na adolescência, podem ser evitadas ou minimizadas ainda na infância. Além disso, as modificações no rosto podem afetar a saúde geral e dificultar a fala e a pronúncia de alguns fonemas. A criança ou adolescente também pode sofrer transtornos psicológicos e baixa autoestima.



Em alguns casos, quando a anomalia é mais grave, podem ser necessárias mais de uma fase de tratamento. Mas a principal vantagem é que o diagnóstico pode ser feito de modo precoce, minimizando a intensidade das alterações e facilitando sua correção. Quanto antes as anomalias forem detectadas, maiores são as chances de corrigir o problema. Os pais ainda recebem orientações para se conscientizarem sobre os hábitos inadequados que devem ser eliminados do cotidiano da criança. Muitas vezes pode ser necessário o acompanhamento multidisciplinar em conjunto com o médico e com a fonoaudióloga.

Fonte: www.kohlerortofacial.com.br

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Metas e Reflexões para um Novo Ano



Paz na intimidade.
Compreensão na dor.
Paciência na provação.
Tolerância na convivência.




Caridade com todos.
Confiança em si mesmo.
Fé em Deus.
Entendimento em família.


Perdão das ofensas.
Calma na dificuldade.
Cumprimento do dever.
Alegria no trabalho.


Humildade no caminho.
Respeito aos outros.
Desprendimento na abundância.
Coragem na penúria.


Benevolência nas atitudes.
Ânimo na enfermidade.
Esperança na aflição.

Amor ao próximo.



FONTE: Vivendo o Evangelho - André Luiz / Antônio Baduy Filho.

sábado, 27 de setembro de 2014

Aprenda a tirar a mamadeira e evitar cárie nos bebês

O hábito deve ser removido o quanto antes para evitar prejuízos na fala, deglutição e até simetria da face



Hoje em dia é comum ver crianças tomando mamadeira desde muito cedo ou ainda prolongando esse hábito por anos. Porém, além de ser uma das grandes responsáveis pela incidência de cárie, a mamadeira pode ser tornar um problemão na hora de ser substituída pelo copo. 

Ao tomar bebidas doces na mamadeira, como leite com açúcar, achocolatados e até suco de caixinha, a criança tem grandes chances de desenvolver cárie (também conhecida como cárie de mamadeira). O que agrava ainda mais o cenário é quando há o hábito da mamadeira para dormir. Isso porque, dificilmente a mãe consegue higienizar a boca do filho com perfeição por ele estar sonolento.

O uso prolongado da mamadeira pode alterar o funcionamento de alguns músculos e comprometer funções como engolir, falar e respirar e também a simetria da face. O grande problema é a forma e tamanho do bico, que podem alterar a posição da língua, desenvolvimento da musculatura da boca e formato das arcadas dentárias (que afeta diretamente na posição dos dentes). Mesmo os bicos chamados ortodônticos podem interferir meste desenvolvimento.
Foto: S. Borisov / Shutterstock
 Ao tomar bebidas doces na mamadeira, como leite com açúcar, achocolatados e até suco de caixinha, a criança tem grandes chances de desenvolver cárie. Foto: S. Borisov / Shutterstock

Truques para fazer a troca
No caso da mãe já ter introduzido a mamadeira na rotina da criança, é importante começar o processo de troca por copo o quanto antes. “À medida que o hábito se prolonga, maiores são os prejuízos para a criança e mais difícil será sua remoção”, afirma Rosana de Fátima Possobon, coordenadora do Cepae (Centro de Pesquisa e Atendimento Odontológico para Pacientes Especiais) da UNICAMP.

Uma preocupação que atrapalha os pais nessa fase é acreditar que tirando a mamadeira de seus filhos eles não vão mais querer tomar leite. Ou então, que vão sofrer demais caso essa mudança seja forçada. Com isso, os próprios pais já passam insegurança e incerteza para a criança, tornando o ritual mais dramático. 

“As crianças tendem a adaptar-se mais rápido e melhor a novas situações do que os próprios pais. Por isso, a primeira regra de sucesso dessa missão é os pais estarem seguros e confiantes de que estão fazendo a coisa certa para poderem passar isso para a criança”, diz Rosana. Porém, a especialista afirma que é bom evitar fazer essa troca na mesma época em que a criança estiver passando por alguma situação nova e/ou estressante, como a separação dos pais, o nascimento de um irmãozinho ou mudança de escola. 



   

10 dicas 

- Converse bastante com a criança para que ela possa entender as razões do porquê a troca precisa ser feita. 
- Reforce o comprometimento de largar a mamadeira com um presente ou um passeio agradável com a família. 
- Evite levar a mamadeira para passeios. 
- Exija que na hora das brincadeiras a mamadeira seja deixada de lado.
- Reduza o número de mamadeiras que a criança possui. 
- Troque a mamadeira por copos coloridos e divertidos. 
- Para a criança que tem o costume de tomar a mamadeira sentada, vá aumentando o furo do bico aos poucos. 
- Incentive a criança a tomar o leite na mesa e no copo junto e igual o papai e a mamãe.
- Diga que precisa que a criança tire a mamadeira da boca quando vai falar com você, pois, do contrário, você não consegue entendê-la. 
- Enfatize o quanto a criança fica mais bonita quando toma leite no copo.

Nossa sugestão

É fato que conforme a criança vai ficando mais velha, mais difícil esta retirada devido ao apego sentimental com a mamadeira, em outras palavras, poderá ser um processo mais sofrido para a criança deixá-la com a mamadeira por mais tempo. Inicie a retirada da mamadeira a partir de 1 ano de idade. A transição deve ser feita com bastante cautela. Sugerimos substituir a mamadeira tradicional pelos copos de treinamento, com bicos de silicone (similares aos bicos das mamadeiras tradicionais), assim a criança não sentirá tanta diferença entre as mamadeiras. A textura é a mesma e a criança tende a se adaptar rapidamente nesta idade.
Bico lateralizado


Copo de transição

Os copos de transição têm o bico lateralizado, como na foto.
  
Este modelo de bico minimiza os possíveis danos que a mamadeira tradicional causaria. O copo de transição pode ser usado até os 3 anos de idade ou até que a criança esteja bem adaptada. Ainda está com dúvidas? Estamos aqui para orientá-los, venham conversar conosco. 

Fonte: Dra Luciana Belomo Yamaguchi e Terra.com.br

domingo, 18 de maio de 2014

Alimentação e problemas bucais: Verdades e mitos

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A relação entre o que se come com a saúde bucal é óbvia para os cirurgiões-dentistas, no aspecto de a alimentação poder alterar os dentes e a mastigação. Porém, ainda não é determinado até que ponto alguns alimentos são prejudiciais - e outros benéficos -, e como o cirurgião-dentista deve agir ao constatar uma erosão dentária, cárie e outros problemas que podem estar ligados à alimentação. Será que o profissional deve partir para a avaliação nutricional do paciente e saber quais alimentos indicar? Ou deve haver uma parceria com o nutricionista do paciente?

Na atualidade, sabe-se que a alimentação é, em geral, mais industrializada - até por facilitar o dia a dia agitado nos centros urbanos. Com isso, também pode conter menos minerais, vitaminas que favorecem a dentição, além de possuir outros fatores que podem prejudicar a saúde bucal. A dieta produz um efeito local na integridade dentária e na microbiota oral por meio da frequência de consumo de alimentos, que determina o número de oportunidades para a produção de ácido e redução do pH salivar.
Atualmente o hábito alimentar do brasileiro mudou de forma negativa, de magnitude e abrangência nacional, conforme foi constatado pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF):  houve uma redução no consumo de frutas, legumes, verduras e de feijão, e aumentou o consumo de alimentos e bebidas com alto teor de açúcar, gorduras e sal. Padrão alimentar este que favorece a formação da cárie dentária, representada, principalmente, por alimentos com alto teor de açúcar e das bebidas açucaradas; e de alimentos com alta adesão, com maior acúmulo de restos sobre os dentes, levando a maior risco de cárie.

Para determinar quais alimentos podem ou não causar cáries, além de mostrar quais podem auxiliar na prevenção ou controle da deterioração do dente os alimentos da atual dieta brasileira podem ser separados em três categorias: positivos (anti-cariogênicos), neutros (cariostáticos) ou negativos (cariogênicos).
Os alimentos cariogênicos contêm carboidratos fermentáveis e são capazes de reduzir o pH salivar para 5,5 ou menos e estimular o processo de cárie. Destaca-se neste grupo: os açúcares adicionados, doces, grãos e amidos presentes em salgadinhos, pães, bebidas de frutas, refrigerantes, bebidas açucaradas, doces em geral e em algumas frutas.

Já os alimentos considerados cariostáticos, não são fermentáveis pelas bactérias, são eles: os alimentos fontes de proteínas, seja de origem animal ou vegetal, como as carnes em geral, ovos, leguminosas e oleaginosas, ou também os ricos em fibras alimentares, representados, principalmente, pelo grupo dos legumes e verduras.

Os alimentos anticariogênicos são aqueles que impedem a placa de reconhecer um alimento acidogênico, quando ele é consumido primeiro. Além de não ser fermentável, apresentariam ação antibacteriana. Alguns adoçantes, como o xilitol, bem como os queijos de maior cura também ajudam na elevação do pH, colaborando para a não progressão da cárie. A goma de mascar sem açúcar também pode reduzir o possível desenvolvimento da cárie, mas, por outro mecanismo de ação, que é o aumento do fluxo salivar.

A denominada "autolimpeza dos dentes" não existe do ponto de vista periodontal, mas os alimentos fibrosos (dentro da categoria de cariostáticos) podem ser acrescentados à dieta do paciente para substituir alimentos de alta adesão aos dentes. As fibras não apresentam uma alta adesão, sendo menos cariogênicas e menos ricas em carboidratos fermentáveis.


Com a redução no consumo de alimentos fibrosos, como as frutas, legumes e verduras, e o avanço no consumo de alimentos industrializados, também há menor esforço de mastigação. Com isso, há diminuição da força mastigatória, podendo levar à perda dentária em idosos ou ao comprometimento da musculatura orofacial em lactentes e crianças. Além disso, a mastigação, que favorece a secreção da saliva, cuja função é tamponante, está cada vez mais rápida e deficiente, seja pela perda dentária, mas, principalmente, pela correria diária.

A ingestão de alimentos ácidos tem se tornado cada vez mais frequentes, devido aos alimentos industrializados, como os refrigerantes, que podem causar erosão dentinária. Seu efeito guarda relação com o ácido bacteriano, entretanto, aparece nas superfícies lisas linguais dos dentes ou vestibulares dos anteriores. A redução do pH leva a uma desmineralização dessas superfícies, que, se acrescidos de hábitos parafuncionais, como o ranger de dentes ou a escovação inadequada, podem acarretar a perdas significativas da estrutura dentária. É recomendada a orientação do paciente quanto à substituição dos alimentos ou, caso esta não seja possível, o uso de manobras que reduzam o dano, como o bochecho para a neutralização mais breve possível do pH ou a remoção do hábito parafuncional.

A afta não apresenta, ainda, uma causa definida. Existe a constatação de que, para muitos pacientes, a ingestão de alimentos ácidos, como frutas cítricas, e condimentos, como pimentas e temperos, pode estimular o surgimento das aftas. Portanto, também está relacionada à alimentação.

A halitose pode ter relação ao baixo consumo de água. Isso leva à redução da salivação e a formação de saliva mais serosa, o que minimiza o efeito de autolimpeza da boca e o acúmulo de restos alimentares e de células mortas da mucosa.

Outro problema bucal relacionado ao baixo consumo de água é a xerostomia, sintoma que, na maioria das vezes, deve-se à diminuição ou falta da saliva. O consumo de água reflete no volume salivar e, indiretamente, longos períodos de jejum também levam a tal redução. Os alimentos de consistência pastosa ou amolecida também estimulam pouco a salivação, pois não demandam tanta mastigação. Ou seja, um item primordial na alimentação, que irá favorecer a saúde bucal, é a água.
É preciso consumir cálcio, fósforo e vitamina D, em todas as fases da vida, mas, principalmente, na infância e adolescência, períodos em que ocorre a formação dos dentes e o pico de crescimento e maturação óssea. Outros nutrientes, como a vitamina C, o zinco e o folato são importantes para a manutenção da integridade da mucosa oral.



Casos especiais

1. Crianças
Nas crianças, especialmente, a redução do uso da musculatura mastigatória, devido aos alimentos industrializados, pode levar ao desenvolvimento incorreto dos ossos maxilares, com possíveis distúrbios oclusais e formação de problemas na mordida. Esses mesmos alimentos, normalmente, apresentam alta concentração de carboidratos fermentáveis e de adesão à superfície dentária.
Além disso, a alimentação cariogênica - por exemplo, os doces ou as bebidas açucaradas - é ofertada muito cedo às crianças, às vezes já na mamadeira durante o dia e, principalmente, antes de dormir, hora na qual a redução no fluxo salivar e o extenso período sem higienização são severamente danosos ao esmalte dos dentes. Dando início à chamada 'cárie de mamadeira' ou cárie de início da infância.
2. Idosos
No caso dos idosos, é importante que eles mantenham uma dieta rica em todos os grupos alimentares, e com diversas formas de preparação, para evitar problemas sistêmicos. E, mais especificamente, a manutenção de várias técnicas de preparação vai evitar a presença de alimentos pastosos, que são mais aderentes e de maior risco de cárie, mas, principalmente, vai propiciar a manutenção do tônus e potência muscular.

3. Gestantes
Para as gestantes, as recomendações são as mesmas dadas à população em geral, ou seja, adoção de hábitos saudáveis e de uma alimentação equilibrada. Embora a recomendação de algumas vitaminas e minerais seja maior em função do estágio fisiológico, como a vitamina C, o zinco e o folato. O acompanhamento nutricional deve ser mais intenso nesta fase da vida.



Odontologia e Nutrição
Todo cirurgião-dentista deveria ser capaz de reconhecer alterações na dieta de um paciente, passíveis de afetar a condição de saúde e a integridade de tecidos duros e moles da boca, além de passar orientações básicas de adequação da dieta e encaminhá-lo ao profissional especialista na área, o nutricionista. Visite o site do Ministério da Saúde, conheça o Guia Alimentar Para a População Brasileira, disponível em http://nutricao.saude.gov.br/guia_conheca.php. Esse guia é um instrumento que pode apoiar o profissional em suas orientações e também os pacientes interessados em prevenir problemas futuros de saúde bucal e geral.

Fonte: http://www.odontomagazine.com.br