sábado, 14 de maio de 2011

Como descobrir que está com mau hálito se a pessoa não percebe e os outros não falam?



Vamos primeiro entender melhor o problema. A solução pode ser mais simples do que você pensa. Ou não... 


A halitose, ou mau hálito, é mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Não é uma doença, mas pode ser sim um sinal, ou sintoma, de que alguma coisa não vai bem no organismo.

Especialistas afirmam que pelo menos 100% da população terá, ou já teve, halitose em algum momento da vida. Entre os 40 e 65 anos de idade, esse número chega a 47% e acima dos 65 anos, 67% sofrem de halitose crônica.

É mais facilmente percebido por estranhos do que pela própria pessoa. Muitas vezes essa constatação deixa-a constrangida, insegura e retraída, principalmente se tiver que conversar com alguém. Fazem uso de balas e enxaguatório bucal, para poder se sentir seguro diante das pessoas, o que além de não resolve o problema, podem acentuar o odor em alguns casos.



Causas
A literatura registra que de 90% a 95% das halitoses, ou mau hálito, são causadas na própria boca, principalmente na língua, e cerca de 5% a 10% têm outras causas. 

A língua possui diversas reentrâncias que retêm resíduos de alimentos, células descamadas e placas bacterianas que começam a fermentar e a liberar odor de enxofre. Este processo, juntamente à higiene oral deficiente, é, sem dúvida, a principal causa do mau hálito.

Cáries, substâncias plásticas usadas na confecção de dentaduras e próteses (por infiltração de líquidos bucais), próteses mal adaptadas e restaurações defeituosas também são fontes de mau cheiro. Inflamações e infecções da gengiva (problemas periodontais), causadas principalmente pela falta de higiene crônica, também são uma causa muito comum de halitose.



Mau hálito matinal
O mau hálito matinal não é, no entanto, considerado um problema, pois é fisiológico, presente em 100% da população. Ele acontece devido à leve hipoglicemia e redução fluxo salivar durante o sono, além do aumento da flora bacteriana anaeróbia. Esses microorganismos atuam sobre a descamação natural da mucosa bucal e sobre proteínas da própria saliva, gerando componentes de cheiro desagradável (chamados de compostos sulfurados voláteis ou CSV).

Esta halitose matinal, no entanto deve desaparecer após a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua e após a primeira refeição da manhã, caso contrário, pode realmente ser investigada para verificar outras causas. Fazer um ótima higienização antes de dormir  (e não comer mais nada depois) também ajuda!



A importância da Saliva
A saliva é um protetor natural dos dentes e da saúde bucal em geral. A falta de saliva pode piorar o problema. Com o passar dos anos, é normal diminuir o fluxo salivar, isto faz parte do processo do envelhecimento. Mas alguns medicamentos e, mais raro, algumas doenças e síndromes, também podem fazer diminuir a quantidade de saliva.

O fluxo salivar pode ser alterado por falta de ingestão de água. É importante ingerir de dois a três litros de água por dia para evitar que a saliva torne-se mais espessa por falta de líquido, aumentando a ocorrência de halitose. 

Mastigar bem os alimentos é essencial para produzir mais saliva. Quando há pouca saliva, pode ser necessária a utilização de saliva artificial.


Causas Sistêmicas
Algumas alterações no organismo que podem causar halitose. Neste caso, a presença de mau hálito pode indicar alguma doença, como Diabetes (odor de acetona ou fruta), insuficiência renal (odor amoniacal devido à decomposição de uréia na saliva pelas bactérias), doenças hepáticas ou febris, estresse ou deficiência de vitamina A e D.

Alterações gastrointestinais
A obstrução intestinal associada a causas sistêmicas, como neoplasias, prisão de ventre, falta de ingestão de líquidos, por exemplo, pode causar uma halitose um pouco diferente da halitose bucal produzida pela liberação de enxofre. Mas esses são casos raros que se enquadram naqueles 5% ou 10% das causas gerais do mau hálito.

Estômago
Considerado pela maioria das pessoas como o vilão do mau hálito, o estômago é uma das últimas causas da halitose. Existem esfíncteres (válvulas) que não permitem a passagem dos odores estomacais para o meio externo. Normalmente, o mau hálito pode ser atribuído ao estômago em poucas situações, como na eructação gástrica (arroto) e refluxo gastroesofágico (deficiência no funcionamento da válvula que separa o esôfago do estômago).

Problemas respiratórios
Antes de culpar estômago, as pessoas devem levar em consideração problemas respiratórios, por exemplo. A sinusite, a rinite e a amigdalite frequentes podem ser as causadoras da halitose. Pacientes que respiram mais pela boca, não têm selamento labial adequado, o que provoca ressecamento da mucosa e também favorece o mau hálito.


Prevenção e Tratamento
A halitose tem tratamento e cura. Porém, não existe remédio milagroso contra o problema. Melhorar a higiene bucal diária resolve o problema na maioria dos casos. Se a melhora da higienização não for eficaz, o ideal é consultar o dentista para verificar se não há cáries, problemas periodontais (de gengiva), próteses ou restaurações mal adaptadas que podem estar acumulando alimentos.



A manutenção de dieta equilibrada e de uma boa saúde é fundamental. Evitar carne gordurosa e tudo que contenha gordura, como frituras. Deve-se dar preferência ao leite desnatado e ao queijo branco ou ricota, evitar bebidas alcoólicas e o tabagismo.

A alimentação mais fibrosa, como cenoura e maçã, aumenta o fluxo salivar e auxiliam na promoção de uma limpeza nos dentes, gengivas e da superfície da língua.



Beber muita água e manter a higiene bucal caprichada. Os dentes devem ser bem escovados, sempre que necessário, principalmente após cada refeição. A língua deve ser limpa com raspadores específicos ou com a própria escova de dente, a cada escovação de dentes.
Após a escovação dos dentes e o uso do fio dental, fazer bochechos com uma pitada de bicarbonato de sódio, ou anti-sépticos bucais, ajuda bastante.

Também pode ser feita uma estimulação da produção de saliva de uma maneira fisiológica, com balas sem açúcar, gomas de mascar, gotas de suco de limão com um pouco de sal.


No entanto, consultas periódicas ao dentista são essenciais, principalmente para uma higienização mais profissional, única forma de remover o acúmulo de tártaro, principalmente atrás dos dentes inferiores. Informe-se também sobre a maneira correta de escovar seus dentes, a falha pode estar aí.

Também é de grande importância fazer um check up médico regularmente, para ver se está tudo bem com o seu organismo. Em casos em que é diagnosticada alguma doença sistêmica, ou alteração metabólica como o diabetes, o tratamento é feito juntamente com o médico especialista. 



Conseqüências
A simples presença de mau hálito, apesar de não ter grandes repercussões clínicas para a pessoa, pode, na maioria das vezes, provocar sérios prejuízos psicossociais. Os mais comumente relatados são a insegurança ao se aproximar das pessoas, a depressão secundária a isso, dificuldade em estabelecer relações amorosas, resistência ao sorriso, ansiedade, e baixo desempenho profissional, quando o contato com outras pessoas é necessário.


O hálito é uma importante ferramenta de diagnóstico. Dizer respeitosamente à pessoa que o hálito dela está alterado é um benefício que se está fazendo a ela, pode ter um problema sério de saúde (como diabetes ou infecções na gengiva) e ela nem imagina. Mas tome cuidado como dizer, muitas vezes o profissional, dentista ou médico, pode ajudá-lo nesta difícil tarefa.

A forma mais simples de descobrir que a pessoa está com mau hálito se ela mesma não consegue perceber (e as outras pessoas ficam constrangidas em falar) é perguntar para uma criança. As crianças são sinceras, verdadeiras e espontâneas. Se o problema existir, ela dirá a verdade. 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Novo Idoso - Mudanças na sociedade com o aumento da expectativa de vida


O número cada vez menor de filhos e a população cada vez mais urbana mostraram, no último censo, que a população do Brasil está envelhecendo rapidamente. Entretanto, o país não está se preparando, com a mesma velocidade, para o envelhecimento da população.
Nas últimas décadas, o número de pessoas com 60 anos ou mais tem aumentado consideravelmente nos países da América Latina, principalmente em Cuba, Argentina, Uruguai, Chile e Brasil.
As informações levantadas pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) mostram que o número de idosos no Brasil já é um dos maiores do mundo, cerca de 13,5 milhões de pessoas. Os idosos são pessoas que já vivenciaram, em abundância, todas as circunstâncias comuns ao ser humano: vida e morte de familiares e amigos, alegria e tristeza de decisões tomadas. Passaram por situações de perdas irreparáveis na família ou entre amigos por doenças ou imprudências devidas a soberba na condução da vida.

No decorrer dos dias conquistaram o reconhecimento da sociedade. Foram favorecidos, entre outras vantagens instituídas pelo Estatuto do Idoso, com a gratuidade no transporte coletivo urbano, filas preferenciais em bancos e supermercados e vagas exclusivas em estacionamentos.
Os idosos de hoje, vivem mais, se divertem mais, produzem mais, aprendem mais e querem muito mais da vida do que queriam as gerações anteriores.
O aumento da população de idosos é, de fato, uma importante conquista da nossa sociedade. Entretanto, isto gera uma série de novas circunstâncias relacionadas à manutenção da saúde, manutenção de habilidades físicas, cuidados médicos e de enfermagem especiais, além de gerar modificações ambientais, visando sempre os cuidados com o idoso.



Estatísticas


O Brasil possui cerca de 19 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa mais de 10% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há 50 anos a expectativa de vida de um brasileiro era de 43 anos. Hoje essa expectativa está em torno de 68 anos, sendo que para o século XXI deverá chegar a 73 anos.

Segundo o I.B.G.E. nosso país deverá ter a sexta população mais idosa do planeta no ano 2025 com 34 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que representará 14% de nossa população. É o grupo etário que mais cresce no Brasil. 


A distribuição dos idosos segundo os grupos de idade não é homogênea e, embora a expectativa de vida a partir dos 60 anos esteja aumentando, ainda é maior a proporção de pessoas idosas na faixa etária de 60 a 69 anos. Isto demonstra que o processo de envelhecimento da população brasileira, apesar de intenso, ainda é recente, diferenciando-se da situação encontrada nos países desenvolvidos, onde a transição demográfica ocorreu há mais tempo e a população idosa concentra-se, cada vez mais, nas faixas de idade de 80 anos ou mais.

O idoso consumidor


Além de viver mais, os idosos brasileiros também obtiveram melhoria da renda nos últimos dez anos. Mais de 80% das pessoas acima de 60 anos ganham ao menos um salário e a grande maioria recebe aposentadoria e pensões. 


Apesar de estarem aposentados, muitos idosos continuam no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, quase 6 milhões de pessoas com mais de 60 anos trabalham, representando 30,9% do total. Mesmo na população com 70 anos, o percentual é significativo: 18,4% têm atividade remunerada.
Não por acaso os idosos são responsáveis pela manutenção de 25% das casas no País e possuem potencial de consumo de R$ 7,5 bilhões, o dobro da média nacional, de acordo com a pesquisa da empresa de consultoria Indicator GFK. 

Os idosos de hoje possuem vida ativa e são consumidores de quase tudo. Precisam de produtos e de atendimento de acordo com suas necessidades e limitações e os especialistas em marketing já perceberam isto. Muitos produtos e serviços são direcionados para este grupo de consumidores, inclusive para vendas pela internet.


 O idoso na rede

Especialistas reunidos no Congresso Mundial sobre Internet (Madri, 2009), enfatizaram o grande interesse de pessoas com mais de 70 anos pela internet. Segundo a professora da Univerdade de Dundee (Escócia) Vicki Hanson, em 2008, só nos Estados Unidos, 45% das pessoas de 70-75 anos já se conectavam à internet. Enviar e receber e-mails é a principal atividade na rede das pessoas acima de 65 anos. Também realizam compras, movimentos bancários e participam das redes de relacionamento social. Os jovens e adultos de hoje serão os idosos de amanhã, então este percentual tende a aumentar, e muito.



O idoso no volante


Com o envelhecimento da população brasileira, estão, a cada ano, surgindo mais idosos motoristas, acima de 70 anos, o que causa certa apreensão aos órgãos públicos ligados a área, aos geriatras e às famílias destes idosos.
Ao contrário do que muitos pensam os idosos não representam uma ameaça no trânsito. Somente 6,2% dos condutores envolvidos em acidentes estão com idade acima dos 55 anos. Já 27,9% dos condutores que causam acidentes estão entre 25 a 34 anos e 24,8% entre 18 a 24 anos, de acordo com dados do DETRAN-SP.
O motorista idoso é considerado educado e cuidadoso, sendo um observador atento às leis de trânsito, sendo pequena a ameaça que estes representam para o trânsito.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), por exemplo, na pessoa com idade entre 70 e 80 anos a flexão no joelho é de 58%, quando nos mais jovens (de 20 a 35 anos), chega a 78%. Além disso, os remédios que o idoso toma podem prejudicar seus reflexos, aumentando o risco de acidentes. 


O idoso nas salas de aula

Os primeiros resultados do Censo do Ensino Superior, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que a faixa etária dos ingressos no ensino superior que mais cresceu foi a de 50 anos ou mais (23%). Há Universidades que chegam a oferecer descontos de até 50% nas mensalidades.


A cada dia, crescem opções de cursos nas mais variadas áreas e as Universidades nunca estiveram tão lotadas dessa turma ávida por conhecimento, que frequenta a escola, seja como porta de retorno à vida profissional ou apenas pelo prazer de aprender. Eles passam a ser vistos como sábios pela família e se aproximam mais dos jovens.  


A escola passa a ter um papel não só de disseminadora do conhecimento, mas também de agente principal de troca de experiências e oportunidade de convívio entre pessoas diferentes. Sua autoestima fica mais valorizada, sentem-se úteis e capazes de absorverem o aprendizado começam a desenvolver a tomada de consciência do próprio envelhecimento de forma ativa, bem-sucedido e com uma boa qualidade de vida.


A saúde do idoso

O envelhecimento da população é reflexo de um conjunto de fatores, principalmente, dos avanços da medicina moderna, que permitiram melhores condições de saúde à população com idade mais avançada, fato que repete em vários países.

Com o aumento a esperança de vida, cresce também a importância das doenças de caráter crônico-degenerativo como principais causas de morte, tais como as do aparelho circulatório, os neoplasmas (câncer) e o diabetes, acarretando um aumento na longevidade das pessoas e no peso relativo dos idosos no total da população.


Preconceito e Despreparo

Infelizmente nossa sociedade ainda é despreparada para respeitar os idosos e para aceitar que a velhice faz parte da vida e que todos iremos envelhecer: você, eu, todos nós. Nem prestamos atenção nos numerosos os obstáculos que a pessoa idosa enfrenta para viver e transitar nas cidades brasileiras diariamente.

No Japão, onde a velhice está associada à sabedoria, pessoas com mais de 65 anos, consideradas idosas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), desenvolvem atividades intelectuais e produtivas sem despertar os olhares preconceituosos dos que estão ao redor. E mais: o governo japonês, inclusive, tem adotado medidas para encorajar os idosos a continuar integrando a força de trabalho. Segundo noticiou recentemente a BBC Brasil, a idéia é “vê-los como um recurso e não um encargo – mão-de-obra valiosa ao invés de pessoas que precisam apenas de apoio e cuidados”.


No Brasil, os estudos existentes sobre o tema da terceira idade são poucos e têm apontado, de forma recorrente, que o processo de envelhecimento da população brasileira é considerado irreversível. 




Mudanças na sociedade brasileira com o aumento da expectativa de vida já estão acontecendo... 





quarta-feira, 23 de março de 2011

Você viveria sua vida de novo?



 


Saramago afirma que sim, viveria, repetidamente, sua vida de novo, da forma exata como foi. Mas quantas pessoas diriam "sim" à pergunta? Não sei entre meus parentes e amigos.

Eu mesma gostaria de editar novamente alguns capítulos de minha vida. Acho que num ponto ou noutro eu remendaria uns espaços em branco. Umas tantas incompreensões seriam revisadas. Algumas páginas eu gostaria de fazer uma releitura com o ponto de vista que tenho hoje. Outros momento, repetiria mais vezes, com mais intensidade, paixão, doação.

Não é fácil responder se faria tudo outra vez. Tudo, acredito que não. Não é que esteja errado. Foi o melhor que pude fazer naquela época, naquela situação. Eu não sabia fazer melhor que isso. Mas porque não tomamos o caminho certo? Nem sempre é questão de enxergar o caminho apenas. O que é o certo?



"E se" é sempre difícil de responder. Mas dá gosto pensar "e se" de vez em quando. Para Paulo Leminski, autor curitibano, "ninguém nunca chegou atrasado". A gente está onde deve estar naquele momento. Assim fica mais fácil viver. Tinha que ser daquele jeito, pelo menos naquela hora.

Mudando o passado, o “The End” não seria o mesmo. Seria um outro, melhor? Difícil saber. A nossa história mudaria toda. Deixaríamos de conhecer pessoas incríveis também. 
"Não há fatos eternos como não há verdades absolutas": Nietzsche nos convida a viver de tal modo que nem os arrependimentos nem os remorsos tenham mais nenhum espaço, nenhum sentido.



Quantas vezes quisemos ver mais adiante para ver se valia a pena aquele caminho, aquela escolha?

Diante do meu notebook, posso ver se a disposição dos armários ficará boa ou se caberão todos os móveis na casa nova. Seria tão bom se existisse uma tecla "undo", o desfazer, na vida também. A gente tenta acertar, buscar a felicidade. Muitas vezes acertamos sim. Mas nem sempre. É assim mesmo. Essa é a beleza da vida. Afinal, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". (Caetano Veloso). 

O filme Efeito Borboleta é assim. A Dona da História também. Faz a gente pensar além do filme. Lembrar que tudo são escolhas e que cada detalhe nos leva a um caminho, a um longo caminho. Para todo “sim” existe um “não”. Para toda escolha você abre mão de alguma coisa, senão não seria uma escolha. Não dá para ter tudo o tempo todo. É a vida.



Eu não sei se viveria tudo de novo, do mesmo jeitinho. Eu compraria aquela passagem? Naquele dia? Para aquele lugar? Eu diria aquele sim ou aceitaria aquele convite? E aquele beijo? Viajaria para o Alasca, Austrália? Permaneceria quieta? Deixaria de ir?

A vida boa é a que consegue viver o instante sem referência nem ao passado nem ao futuro, sem condenação pessoal, com leveza absoluta, com o sentimento perfeito de que não há mais diferença real entre o passado e a eternidade. (Nietzsche)

Pensa no seu presente. Nas pessoas que você ama. Faz o bem para todos, sem distinção. Consequências virão. Boas ou ruins. Mas você fez o melhor que podia, pelo menos no momento que está vivendo.  Se você não fez melhor, é porque não deu. É porque você não estava preparado ainda ou porque havia outras variáveis na equação, e você não tinha essa HP 50 g que tem hoje. Talvez agora você nem se lembre mais desse detalhe.  Se perdoe. 

“Lembra-te de que cada um de nós só vive no momento presente, no instante. O resto é passado, ou o obscuro futuro. Pequena é, pois, a extensão da vida.” (Marco Aurélio)




Por Luciana Belomo Yamaguchi. Baseado no texto de Ana Elisa Ribeiro, Digestivo Cultural, e no livro Aprender a Viver - Filosofia para os novos tempos, de Luc Ferry.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Eu sou diferente de você






Nós somos bem diferentes. Nossas características físicas, nossas escolhas. Optamos por cores, gostos e sons. Algumas pessoas são introvertidas, outras não. E é nesta diferença que mora a graça de viver. É o que faz a identidade de cada pessoa. Todos nós somos, de alguma forma, imperfeitos, deficientes e especiais.

Alguns escutam menos. Outros enxergam com o auxílio de óculos ou lentes. Há aqueles que falam com dificuldade. Tantos outros apresentam dificuldades para aprender. Alguns apresentam problemas na metabolização do açúcar - diabetes. Outros, problemas na tireóide. E existem alguns anjos especiais que vieram à terra a fim de nos fazer aprender a língua do amor.

Esses anjos são as crianças, em especial aquelas com deficiências mentais ou físicas que conseguem transformar a existência de seus próximos nesse planeta (familiares, professores, médicos e amigos) e lhes fazer vivenciar a mais profunda, verdadeira e infinita realização divina na terra, o amor desprendido, aquele sem nenhum interesse, que não demanda nada em troca de uma enorme dedicação, apreço e carinho. Coisa rara hoje em dia.


No dicionário deles com certeza não existe a palavra “vergonha” em expressar seus sentimentos. São espíritos de luz, alegria contagiante, pessoas que somam em nossas vidas, acrescentam amor, paz e experiências maravilhosas, nos ensinam coisas novas diariamente.

Mas qualquer palavra que expresse minha idéia, consciência e sensibilidade acerca desse tema, não consegue equiparar-se à daquelas pessoas que batalham arduamente todos os dias em prol de uma vida melhor para as pessoas que têm a Síndrome de Down ou qualquer outra necessidade especial, seja ela física, mental, decorrentes da idade ou de problemas de saúde.

Conhecendo melhor a Síndrome de Down

Essa síndrome recebeu esse nome pois o médico que a descreveu chamava-se John Langdon Down. è a mais comum das anomalias mesntais congênitas e afeta 1 a cada 600 recém-nascidos, sendo a estimativa de 100 mil brasileiros portadores.


Qualquer casal, independente de posição social, situação financeira, etnia ou religião pode ter filho com a síndrome. Entretanto, a probabilidade é maior em gestantes com mais de 40 anos de idade. 
Dentro de cada célula do nosso corpo, estão os cromossomos, responsáveis pela cor dos olhos, altura, sexo e também pelo funcionamento de cada órgão do corpo. Cada uma das células possui 46 cromossomos. Os portadores desta síndrome têm um cromossomo 21 a mais em todas as suas células.
Ao nascer, os bebês apresentam características semelhantes: a maioria é “molinho” (hipotônico), alguns apresentam dificuldade para sugar, engolir, sustentar a cabeça, braços e pernas. Também têm características parecidas na face, mãos e pés. Muitos apresentam baixa imunidade e problemas cardíacos, alguns bem sérios.
Estas e outras alterações exigem uma ampla dedicação dos pais à criança portadora de Síndrome de Down. Por exigir muitos cuidados, alguns pais acabam deixando de lado questões fundamentais, como a preocupação com a saúde bucal da criança.

Não há cura para esta síndrome, entretanto a melhor forma de tratamento é iniciar, o quanto antes, um programa de estimulação precoce para ajudar o bebê em seu desenvolvimento motor e intelectual.
O acompanhamento deve ser realizado desde o nascimento, contando com profissionais especializados (médicos, fonoaudiólogo e fisioterapeuta). Tudo deve ser feito de acordo com a idade e grau de maturação cerebral, ou seja, esse tratamento continua durante toda a vida dessa criança, acrescentando outros profissionais de acordo com o problema e dificuldades de cada um.

Hoje, muitos portadores da Síndrome de Down são alfabetizados e estão inseridos no mercado de trabalho. A primeira preocupação das corporações em contratarem pessoas com deficiência é cumprir a Lei de Cotas, existente desde 1991, que obriga as empresas com mais de 100 funcionários a contratar esse grupo de trabalhadores, e caso isso seja desrespeitado é aplicado uma multa. Mas com trabalho de conscientização, essa obrigação passa a ser assumida como responsabilidade social.

Não podemos perder de vista, entretanto, que essas conquistas não estão ao alcance de todos os pacientes. Elas dependem, principalmente, do incentivo da família, do tratamento precoce, contínuo e adequado e das oportunidades oferecidas pelas comunidades em que vivem.

As crianças com Down apresentam um desenvolvimento motor, na fala e na linguagem um pouco mais lento, mas isso não as impede de exercer atividades consideradas complexas, como tocar um instrumento musical, ou ser um atleta ou uma bailarina, ingressar numa faculdade, atuar em teatro e TV. Mas tudo isso depende do estímulo e oportunidades que a criança recebe desde pequena e, como qualquer outra criança, ela também faz suas escolhas e têm suas preferências. Talvez não goste de música ou de ballet, o que também não a coloca em posição inferior a outras crianças com a síndrome. 
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A Síndrome de Down e a Odontologia

Os pacientes especiais, em geral, têm uma maior necessidade de cuidados odontológicos preventivos, para evitar cáries e doenças da gengiva. A maioria destes pacientes não consegue escovar os dentes corretamente, necessitando da ajuda de outras pessoas. A participação de familiares ou responsáveis nestes cuidados é fundamental.

A criança com Síndrome de Down, assim como qualquer criança, deve ser levada ao dentista antes mesmo do nascimento dos primeiros dentes, para que o responsável receba orientações importantes sobre prevenção de doenças bucais e problemas ortodônticos.

Algumas alterações odontológicas podem ser observadas nesses pacientes, como o atraso na erupção dos dentes, problemas na oclusão (80% dos pacientes tem problema no encaixe dos dentes), agenesias (ausência de formação de alguns dentes) e alta suscetibilidade a doenças periodontais (inflamações e infecções da gengiva).


Doença periodontal

A deficiência imunológica comprovada dos pacientes portadores da síndrome de Down contribui diretamente para o desenvolvimento da doença periodontal agressiva e precoce, que afeta tanto os dentes de leite, quanto os permanentes.

As doenças periodontais atingem em média 50% desses pacientes, sendo que as inflamações gengivais desenvolvem-se nessas crianças mais rapidamente.

A baixa imunidade presente na maioria dos portadores da síndrome resulta em dificuldade em se combater as bactérias, fazendo com que a doença periodontal seja agressiva nesses pacientes, levando ate mesmo a perda dos dentes. O alto índice de doença periodontal em pacientes portadores da Síndrome de Down reforça a importância de uma boa higiene bucal. É importante que os pais levem seus filhos frequentemente ao dentista. O controle e a manutenção da saúde bucal nesses pacientes tornam-se uma prioridade. 




Amigos não contam cromossomos. Não desperdice a oportunidade de se fazer presente na vida de uma criança com Down. Aprenda, com eles, a ser mais humilde, ter mais paciência e “viver o hoje”!  21 de março - Dia Internacional da Síndrome de Down. Divulgue essa idéia.


Por Luciana Belomo Yamaguchi, irmã de Giovana


"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." (Clarice Lispector)