quarta-feira, 29 de junho de 2011

Decisão: dar ou não a chupeta?


Pacifier significa pacificador. É o termo usado para definir chupeta em inglês. A chupeta pode ser um ótimo recurso para acalmar tanto o bebê quanto a mãe. Pode evitar que situações de choro se prolongue.
Mas você se lembra de ter visto em algum lugar propaganda de chupeta? Não, né? E por uma razão simples: é proibido. Mesmo assim toda mãe sabe onde comprar e como usar a chupeta.

A razão desta proibição é que o uso do artifício pode atrapalhar a amamentação. O objetivo é tentar evitar o desmame precoce, já que o uso de chupetas muitas vezes faz com que a criança deixe de mamar no peito - ou não aprenda corretamente a mamar no peito no caso dos recém-nascidos. 

No início, a maioria das mães tem leite suficiente, mas com o tempo, o bebê o sugará menos (pois o ato de sugar é transferido para a chupeta), o que resultará em menor saída do leite e a mãe tenderá a produzir cada vez menos leite, uma vez que a quantidade de leite produzido pela mãe depende muito do estímulo do bebê.

Além disso, a posição da língua na amamentação é diferente da posição de quando se suga a chupeta. Como sugar a chupeta é mais fácil, na hora da amamentação o bebê colocará a língua na posição da sucção da chupeta e pode não conseguir retirar o leite, chorando de fome e rejeitando o peito.


Decisão: dar ou não a chupeta?

Alguns pais ficam em dúvida de oferecer ou não a chupeta ao bebê. Pais e avós incentivam, médicos, fonoaudiólogas e dentistas contra-indicam, e a jovem mãe se pergunta... e agora? Fique tranquila, você não é a única e não está sozinha, estamos aqui para orientá-la.

Como normalmente toda fonte de prazer gera estabilidade e relaxamento, a sucção não nutritiva (uso da chupeta) é utilizada na tentativa de deixar o bebê mais tranqüilos e quietos.
A função calmante da chupeta se dá porque a criança, quando nasce, apresenta o reflexo de sucção e sugar dá prazer à criança, por isso a criança se apega tanto à ela – e aí que está o perigo.  Mesmo sabendo que pode trazer problemas futuros para a criança, muitos pais incentivam seu uso, até mesmo em crianças que não querem.
Especialistas no assunto dizem que os reais benefícios do uso da chupeta são maiores para os pais do que para os próprios bebês. A chupeta é um recurso utilizado para facilitar o dia-a-dia de quem cuida do bebê, geralmente a mãe. Muitas se utilizam deste artifício, na tentativa de diminuir seu sofrimento e angústia, por não conseguir compreender o que está acontecendo com a criança. Entendo perfeitamente essa dificuldade das jovens mães, mas tenho que concordar com os especialistas.

Algumas mães, vendo que seus filhos têm grande necessidade de sugar acabam achando mais prático oferecer uma chupeta para os seus filhos ao invés de tentar entender o que ele está querendo expressar através do choro.
É importante lembrar que o choro da criança deve ser compreendido e interpretado principalmente nos primeiros meses de vida. Neste período esta é a única forma de comunicação utilizada pelo bebê para expressar suas diferentes emoções. 


Fique atenta, pois ao utilizar a chupeta para parar o choro de filho, muitas vezes, você poderá deixar de suprir alguma de suas necessidades. Preste atenção na forma de comunicação do seu pequeno.




Decidi dar a chupeta, quais as recomendações?

Muitos pais querem saber qual a melhor época para iniciar o uso da chupeta. Orientamos que os pais esperem um pouco para introduzí-la até que seu bebê esteja mamando bem e ganhando peso, em torno de 3 a 4 semanas de vida. Mas antes de criar esse hábito no seu bebê, é bom você conhecer um pouco mais sobre o assunto e estar ciente não só do seu efeito tranquilizador, mas também do lado B do uso da chupeta, dos efeitos colaterais e das dificuldades para retirar o hábito das crianças mais tarde.




Você também deve estar ciente que chupar chupeta em excesso pode fazer o bebezinho engolir mais ar, causando gases e cólicas. Infecções, devido a germes presentes na superfície da chupeta, também podem aparecer com maior frequência nessas crianças, principalmente nos bebês mais novos – neles o sistema imunológico ainda não está completamente formado. Mantenha-a sempre muito limpa.
Não vale a pena utilizar uma chupeta para suprir a necessidade de sucção do bebê. As chupetas, sendo ortodônticas ou não, acarretarão problemas de saúde para a criança, em maior ou menor grau. Ao sugar o bico artificial o bebê vai acabar adquirindo uma postura da língua e da boca diferente da que possuía quando sugava os seios da mãe. Deste modo, a criança pode perder reflexos e a facilidade para mamar no peito, que exige certo esforço.



O grande problema da chupeta está no uso constante e a longo prazo: pode levar a alterações sérias nos ossos maxilares e dentes. O mais comum são as crianças apresentarem a mordida aberta: sobra espaço entre os dentes de cima e de baixo, no local que a chupeta costuma encaixar, na frente ou na lateral. 


Mordida aberta aos 2 anos
Mordida aberta e cruzada aos 9 anos


     
Mordida aberta e cruzada aos 7 anos
Algumas crianças também podem ficar com a mordida cruzada, que é o estreitamento dos ossos da maxila, quando a arcada superior fica mais estreita que a inferior, por consequencia da posição errada que a lingua “aprende” a ficar com o uso da chupeta.

Os prejuízos que a chupeta pode causar podem ser amenizados se ela for oferecida ao bebê apenas poucas horas do dia e se o vício for retirado cedo. Além disso, na hora de escolher a chupeta há algumas caracteristicas que devem ser observadas...


Como escolher a chupeta

O material da chupeta pode ser látex ou silicone.
As chupetas com bico ortodôntico oferecem um ajuste anatômico melhor entre a língua e o céu da boca, são as mais indicadas. No entanto, essas adaptações não garantem um posicionamento adequado de lábios e língua, no repouso. A presença constante da chupeta dentro da boca inevitavelmente favorece a permanência dos lábios entreabertos e a língua mais rebaixada e anteriorizada. Quanto mais aberta a boca do bebê ficar enquanto está com a chupeta, mais prejudicial ela é. 
Bico ortodôntico - recém-nascidos
Bico ortodôntico


As chupetas que causam mais problemas para a criança são as que apresentam a ponta redonda. Estas são as mais utilizadas pois são aceitas com maior facilidade pelos bebês. O seu uso não é recomendado uma vez que acarreta uma alteração muito grande do palato e a boca do bebê fica muito "aberta" durante seu uso. Isso 'ensina' o bebê manter a boca mais aberta mesmo quando está sem a chupeta (favorece respiração bucal). 

As chupetas que causam mais problemas para a criança são as que apresentam a ponta redonda. Estas são as mais utilizadas pois são aceitas com maior facilidade pelos bebês. O seu uso não é recomendado uma vez que acarreta uma alteração muito grande do palato e a boca do bebê fica muito "aberta" durante seu uso. Isso 'ensina' o bebê manter a boca mais aberta mesmo quando está sem a chupeta (favorece respiração bucal).
Não prenda a chupeta com fralda ou correntes mais pesadas. Isso faz a ponta da chupeta ficar pesada, o que pode forçar a arcada dentária para frente, acentuando mais ainda os problemas dentários que as chupetas podem causar.
A higienização correta e constante da chupeta é fundamental.

Bico redondo
Bico redondo


Como limpar

A chupeta da embalagem deve ser esterilizada com água fervente, conforme orientação do fabricante. Quando o bebê é recém-nascido deve ser passada em água fervente várias vezes ao dia, pois o bebê tem seu sistema imunológico pouco desenvolvido e a chupeta pode colocá-lo em contato com vários germes causadores de infecções, febre, diarréia, etc. Quando a criança é maiorzinha, a água corrente é suficiente e, uma vez ao dia, deve ser passada em água fervente. Use apenas sabão neutro durante as lavagens – pode ser usado o sabonete glicerinado neutro, aquele mesmo indicado para o banho dos recém-nascidos. O ideal é ferver a água, desligar o fogo, deixar a chupeta submersa por, no máximo, 5 minutos.
A chupeta tem prazo de validade – esse tempo pode variar conforme o fabricante. Em geral, ela deve ser substituída todos os meses. Depois desse tempo, os materiais perdem as propriedades iniciais e podem trazer riscos à segurança do bebê.

Decidi não dar a chupeta, tem algum problema?

É cada vez maior o número de bebês que não usa chupeta no Brasil. É o que revela uma pesquisa recente do Ministério da Saúde. Em uma pesquisa que ouviu pais de 118 mil crianças com até um ano de idade em todo o país mostrou que o uso da chupeta caiu 26% nos últimos 9 anos em todo o Brasil.
Fonte: Ministério da Saúde
Para os especialistas, a redução representa menos problemas de saúde no futuro: “os bebês que não usam chupeta tem menor propensão a desenvolver problemas dentários e respiratórios”.
A odontopediatra da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Branca Heloísa, explica que a chupeta não é recomendada. Ela alerta que a única circunstância em que um odontopediatra sugeriria o uso de chupeta seria no caso de crianças que chupam o dedo. “Nesse caso, a chupeta seria introduzida para substituir o dedo porque, geralmente, é mais difícil remover o hábito de chupar dedo do que remover o hábito de chupar chupeta”, afirma.

Que outros recursos uma mãe pode utilizar para acalmar a criança que não a chupeta?



Sugar é prazeroso e calmante. Uma atividade tão natural que os bebês cultivam mesmo antes de nascer. A sucção já está presente entre a 17a e a 24a semanas de vida intrauterina. Esse reflexo é importante para o recém-nascido, principalmente, para que ele possa se alimentar logo após nascer. Por isso o bebê apresenta a necessidade de sugar instintivamente, e esta deve ser suprida pela amamentação e contato com a mãe, sem a necessidade da utilização de bicos artificiais.

Por meio da amamentação, o bebê é alimentado não somente com o leite materno, mas também com o conforto, carinho e amor da mãe, e nada consegue substituir esse contato materno. Tudo isso dá muito prazer ao bebê, não só o ato de sugar. A chupeta pode vir a ser uma forma de prolongar o prazer e o conforto da presença materna, mas não substitui a mãe. 
Mas se a mãe utilizar a chupeta para encurtar o tempo da mamada e evitar seu contato prolongado com o bebê, isso pode ser muito problemático. Se utilizá-la para manter a criança quieta a qualquer custo, calar sua fala, pode inclusive ter consequências psicológicas e patológicas bastante sérias.

O fim da paixão

No início, os pais podem se apaixonar pela chupeta tanto quanto seus filhos, mas a fase da lua de mel não dura para sempre.
Por volta do final do primeiro ano, o lado negativo das chupetas aparece. Aos 2 anos de idade, crianças falando frases completas com a chupeta na boca, começam de fato a preocupar os pais.
Algumas vezes os adultos culpam e brigam com as crianças, as castigam, as fazem chorar, causam um grande sofrimento nas crianças por causa de um hábito que eles mesmos ensinaram e insistiram. Muita conversa, muitas lágrimas, muitas tentativas, dúvidas, angústias... “E agora, o que fazer doutora? Meu filho não quer largar a chupeta por nada e seus dentinhos já estão ficando tortos! O que devo fazer? ” – nos perguntam frequentemente no consultório.

Quando tirar a chupeta

A maioria dos pediatras acredita que a idade correta para tirar a chupeta é com 2 anos, quando a chupeta passa a ser um obstáculo para o desenvolvimento da fala. Pela minha experiência como mãe e profissional da área, acredito que, quanto mais tempo passar, mais difícil será remover este ou qualquer outro hábito. O ideal seria entre 1 e 2 anos de idade, mas com muito cuidado para que a criança não a substitua pelo dedo, que seria muito mais prejudicial.
O maior problema da chupeta está no seu uso indiscriminado, principalmente após os 2 anos. A partir dessa idade alterações mais sérias na musculatura da boca, posição da lingua e dentes já podem ser observadas. Estas alteraçõem também favorecem a respiração bucal (o correto é a respirar pelo nariz).
O mais importante é os pais controlarem a ansiedade e oferecerem menos a chupeta. Devem reduzir o uso ou até limitar para a hora de dormir. Há casos em que os pais se acomodam com o ‘conforto’ que a chupeta dá e não percebem o crescimento dos filhos.

Como aposentar a chupeta?


Há várias estratégias para acabar com o 'vício'...  vai depender da idade da criança e seu grau de entendimento. 
Na hora dos passeios, explique à criança que a chupeta fica em casa.
Usar apenas na hora de dormir ou quando a criança estiver doente.
Deixe o pai tentar - Pode ser mais fácil para o pai ajudar a criança a parar de usar.
Avise a escola, a creche, os tios e avós para que todos possam colaborar nessa etapa e incentivá-la.
Não coloque substâncias amargas ou fortes (pimenta, mostarda) na chupeta para a criança largar o hábito. A chupeta dava prazer. Não deve virar punição.
Use a imaginação. Uma alternativa é levar a criança ao zoológico e dizer que o filhote de girafa nasceu e precisa da chupeta. Outra alternativa é chamar a “fada da chupeta” para que ela leve o objeto embora e deixe um presente como substituto.
É muito importante que a retirada da chupeta não coincida com outros momentos marcantes na vida do bebê, como a chegada de um irmão, mudança de cidade ou início da vida escolar.
É importante que ocorra numa fase em que a criança já esteja envolvida em outras atividades e interesses, pois assim o bico passa a ter um papel secundário. Muitas crianças aceitam trocar o objeto por um brinquedo, por exemplo. Alguns pedem para destrocar na hora de dormir, mas esta é a hora dos pais serem firmes.


Idade da criança
Independente da idade, nunca estimule o uso da chupeta durante todo o tempo, senão será mais difícil removê-la depois.
Antes dos 2 anos: Ir diminuindo seu uso aos poucos até chegar ao ponto de usar a chupeta só para dormir. Quando a criança adormecer, retirá-la da boca. Ir diminuindo seu uso gradualmente.
Após os 2 anos: Nessa idade a criança começa a entender. Converse com ela. Conte a estória da fada, que vem à noite para tomar as chupetas, deixando um grande presente. Existe também a possibilidade de levar a criança para uma loja de brinquedos para “negociar” seu vício por um brinquedo de criança grande. O mais recomendado é explicar que agora ela cresceu. Estimule a criança para que seja ela própria a doar ou jogar fora a chupeta
Após os 4 ou 5 anos: Nessa idade normalmente já há alterações na posição dos dentes. Faça uma avaliação com o dentista-ortodontista e veja se há necessidade de um tratamento ortodôntico preventivo, com aparelho móvel. Há alguns modelos específicos para esse tipo de problema e que podem ajudar seu filho a parar de chupar a chupeta (ou dedo). Mas atenção, crianças mais velhas que ainda usam chupeta podem necessitar de acompanhamento multidisciplinar, com o ortodontista e também com psicólogo. Na maioria das vezes o problema maior é com a mãe ou cuidador da criança – pode ser o indício de algum tipo de carência emocional ou outros problemas. É bom ficar atento.


O importante é ter paciência e aguentar o choro, o que é a parte mais difícil, sem dúvida. É o seu bebê pedido aconchego. Noites difíceis virão, mas seja firme. A vida sem chupeta é possível. Mas se você ainda não a ofereceu ao seu bebê, esteja ciente que não temos como prever o quanto seu bebê irá se apegar à chupeta. Se decidir dar a chupeta, use com moderação e por poucos meses. Qualquer dúvida estaremos aqui para ajudá-la.

Baseado na Revista Pais & Filhos, conhecimentos acadêmicos e na minha experiência pessoal como mãe.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Dores na coluna podem se originar na boca?





A coluna vertebral envolve uma série de nervos, tendões, músculos e ligamentos que doem quando há algo errado. Entretanto, as pessoas dificilmente relacionam essas dores à problemas bucais. 
A região da nuca (coluna cervical) é submetida à pressão durante todo o tempo, em todas as direções, com o peso da cabeça, posturas de trabalho e atividades de vida diária. A  ATM (articulação próxima ao ouvido que faz os movimentos da boca) e os ossos do crânio também podem excercer pressão sobre a coluna cervical.




Estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos mostram a forte relação entre a postura corporal com atividades vitais como respiração e, principalmente, tipo de alimentação. 


Mastigar bem os alimentos produz um relaxamento da musculatura. Uma dieta equilibrada, que contenha também alimentos mais duros, grãos e fibras, ajuda a reforçar a tonicidade de todos os músculos da mastigação. Isto acaba prevenindo os problemas relacionados à ATM (articulação temporomandibular). A falta de mastigar alimentos mais duros, aliada a problemas no encaixe dos dentes, resultam em problemas de mordida que quase sempre geram uma disfunção na ATM. 


Pacientes que apresentam uma alteração na ATM geralmente relatam a presença de ruídos articulares, dor nos músculos que envolvem a cabeça ou nas articulações, desvios na mordida e/ou limitação na abertura da boca. A sucessão de mordidas erradas, desgastes e compensações, durante toda a vida, faz com que o corpo tente se adequar, nesse caso negativamente. Articulações, músculos e ossos sofrem um tipo de compensação ao longo dos anos, o que pode resultar em dores na coluna cervical




O que a ATM tem a ver com as dores na coluna? 


Disfunções na ATM podem provocar problemas na coluna cervical e vice-versa. Quando a oclusão (mordida) não é correta, a mandíbula se desvia lateralmente para fazer o ajuste e compensar o desequilíbrio. Como resultado, temos uma mordida desalinhada e a mandíbula sobrecarregada de um só lado. Dessa forma, os músculos do pescoço, e a seguir da coluna cervical, acompanham esse novo posicionamento na tentativa de compensar o desvio causado na boca.



Uma das razões desta ligação tão íntima entre a coluna e a ATM são as fáscias - fina camada fibrosa que cobre grupos de músculos. Essas fibras acabam ligando superficialmente partes distantes do corpo, que aparentemente não têm relação nenhuma.


A fáscia superficial cervical, por exemplo, liga a mandíbula até a pelve, e a nuca (coluna cervical) até o quadril. (SOUCHARD, OLIVER, 2001). Assim, as tensões são transmitidas passando de uma estrutura próxima para a mais distante ao longo de uma cadeia dessas fibras que cobrem os grupos de músculos.



Funcionalmente, a coluna cervical, a ATM e a oclusão dos dentes (mordida) estão intimamente relacionadas. O mau funcionamento ou posição de uma delas pode afetar a função ou posição das outras. Por exemplo, a alteração na posição da cabeça, modifica a posição mandibular, acometendo assim a oclusão (mordida). A desordem tanto nos músculos da mastigação quanto nos músculos cervicais pode facilmente alterar este equilíbrio.


Quando a mandíbula se encontra fora da posição correta, pode ocorrer alteração na posição do crânio e sua relação com a coluna cervical. Com isso o paciente pode ter dores na face, dores de cabeça e dores irradiadas na coluna, principalmente na região cervical (BRICOT, 2004; STEENKS; WIJER, 1996). 


Como tratar
Terapia Oclusal 
Realizada por dentistas com formação específica nesta área , preferencialmente especialistas em ATM, reabilitação oral e ortodontistas. O tratamento mais utilizado é o uso de placas miorrelaxantes em acrílico, com o objetivo de desprogramar a musculatura mastigatória tensa. 
Este tipo de tratamento normaliza a atividade muscular permitindo que a própria musculatura leve a mandíbula a uma posição adequada, reduz ou elimina sinais e sintomas das desordens de ATM. As placas são também utilizadas para proteger os dentes nos casos de apertamento dos dentes por tensão e bruxismo (ranger os dentes).





Tratamento psicológico e/ou psiquiátrico
A ansiedade, a tensão e o estresse podem produzir alguns hábitos prejudiciais que algumas vezes a própria pessoa nem percebe. Ranger os dentes (bruxismo), apertar ou travar a mordida e roer unha são exemplos desses hábitos parafuncionais. 
Contrair excessivamente os músculos, consciente ou inconscientemente, causa danos criando um ciclo vicioso de dor/estresse/dor. Essa dor constante produz mudanças de comportamento do paciente que passa a estar irritado por qualquer estímulo, observando neles mudanças no comportamento, sentimentos e pensamentos e por tanto em cada aspecto de suas vidas. Geralmente estes pacientes são depressivos e têm transtorno de humor com freqüência (OKESSON,J.P. 1998).





Tratamento fonoaudiológico
O objetivo é adequar a tonicidade e mobilidade muscular adaptando as funções estomagnáticas - sucção, mastigação, deglutição, fala e fonação - para que não haja a dor muscular tanto em repouso como no movimento e para que este ocorra de forma coordenada e precisa, sem desvios da linha média no fechamento e/ou abertura da boca.


Tratamento fisioterapêutico
A fisioterapia tornou-se parte importante na abordagem interdisciplinar advogada no tratamento da dor e da disfunção associadas com a alteração de ATM. A fisioterapia tem como objetivo reposicionar a mandíbula para melhorar a função, minimizar a dor muscular, melhorar a amplitude de movimento, melhorar a postura, reduzir a inflamação, reduzir a carga na ATM e fortalecer os músculos da região cervical e da ATM.
A primeira medida fisioterapêutica consiste na educação do paciente a respeito da natureza do seu problema e da maneira para reduzir os sintomas, diminuindo a intensidade da atividade dos seus músculos mastigatórios. São ensinados ao paciente os exercícios para o relaxamento que deverão ser supervisionados pelo fisioterapeuta e realizados periodicamente pelo paciente.




Uma vida mais tranquila
Com certeza uma vida mais calma, boas noites de sono, boas relações afetivas, um trabalho que lhe dê prazer e realização pessoal contribuem muito para a diminuição do estresse. Problemas e dificuldades sempre existirão, o que pode mudar é como você lida com elas. Não deixe suas preocupações prejudicarem sua saúde. Tire férias, durma bem, passeie, curta a família, faça seu trabalho com capricho, goste do que você faz, ou então faça algo que goste. Os benefícios podem ser maiores e melhores do que você imagina.

sábado, 14 de maio de 2011

Como descobrir que está com mau hálito se a pessoa não percebe e os outros não falam?



Vamos primeiro entender melhor o problema. A solução pode ser mais simples do que você pensa. Ou não... 


A halitose, ou mau hálito, é mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Não é uma doença, mas pode ser sim um sinal, ou sintoma, de que alguma coisa não vai bem no organismo.

Especialistas afirmam que pelo menos 100% da população terá, ou já teve, halitose em algum momento da vida. Entre os 40 e 65 anos de idade, esse número chega a 47% e acima dos 65 anos, 67% sofrem de halitose crônica.

É mais facilmente percebido por estranhos do que pela própria pessoa. Muitas vezes essa constatação deixa-a constrangida, insegura e retraída, principalmente se tiver que conversar com alguém. Fazem uso de balas e enxaguatório bucal, para poder se sentir seguro diante das pessoas, o que além de não resolve o problema, podem acentuar o odor em alguns casos.



Causas
A literatura registra que de 90% a 95% das halitoses, ou mau hálito, são causadas na própria boca, principalmente na língua, e cerca de 5% a 10% têm outras causas. 

A língua possui diversas reentrâncias que retêm resíduos de alimentos, células descamadas e placas bacterianas que começam a fermentar e a liberar odor de enxofre. Este processo, juntamente à higiene oral deficiente, é, sem dúvida, a principal causa do mau hálito.

Cáries, substâncias plásticas usadas na confecção de dentaduras e próteses (por infiltração de líquidos bucais), próteses mal adaptadas e restaurações defeituosas também são fontes de mau cheiro. Inflamações e infecções da gengiva (problemas periodontais), causadas principalmente pela falta de higiene crônica, também são uma causa muito comum de halitose.



Mau hálito matinal
O mau hálito matinal não é, no entanto, considerado um problema, pois é fisiológico, presente em 100% da população. Ele acontece devido à leve hipoglicemia e redução fluxo salivar durante o sono, além do aumento da flora bacteriana anaeróbia. Esses microorganismos atuam sobre a descamação natural da mucosa bucal e sobre proteínas da própria saliva, gerando componentes de cheiro desagradável (chamados de compostos sulfurados voláteis ou CSV).

Esta halitose matinal, no entanto deve desaparecer após a higiene dos dentes (com fio dental e escova), da língua e após a primeira refeição da manhã, caso contrário, pode realmente ser investigada para verificar outras causas. Fazer um ótima higienização antes de dormir  (e não comer mais nada depois) também ajuda!



A importância da Saliva
A saliva é um protetor natural dos dentes e da saúde bucal em geral. A falta de saliva pode piorar o problema. Com o passar dos anos, é normal diminuir o fluxo salivar, isto faz parte do processo do envelhecimento. Mas alguns medicamentos e, mais raro, algumas doenças e síndromes, também podem fazer diminuir a quantidade de saliva.

O fluxo salivar pode ser alterado por falta de ingestão de água. É importante ingerir de dois a três litros de água por dia para evitar que a saliva torne-se mais espessa por falta de líquido, aumentando a ocorrência de halitose. 

Mastigar bem os alimentos é essencial para produzir mais saliva. Quando há pouca saliva, pode ser necessária a utilização de saliva artificial.


Causas Sistêmicas
Algumas alterações no organismo que podem causar halitose. Neste caso, a presença de mau hálito pode indicar alguma doença, como Diabetes (odor de acetona ou fruta), insuficiência renal (odor amoniacal devido à decomposição de uréia na saliva pelas bactérias), doenças hepáticas ou febris, estresse ou deficiência de vitamina A e D.

Alterações gastrointestinais
A obstrução intestinal associada a causas sistêmicas, como neoplasias, prisão de ventre, falta de ingestão de líquidos, por exemplo, pode causar uma halitose um pouco diferente da halitose bucal produzida pela liberação de enxofre. Mas esses são casos raros que se enquadram naqueles 5% ou 10% das causas gerais do mau hálito.

Estômago
Considerado pela maioria das pessoas como o vilão do mau hálito, o estômago é uma das últimas causas da halitose. Existem esfíncteres (válvulas) que não permitem a passagem dos odores estomacais para o meio externo. Normalmente, o mau hálito pode ser atribuído ao estômago em poucas situações, como na eructação gástrica (arroto) e refluxo gastroesofágico (deficiência no funcionamento da válvula que separa o esôfago do estômago).

Problemas respiratórios
Antes de culpar estômago, as pessoas devem levar em consideração problemas respiratórios, por exemplo. A sinusite, a rinite e a amigdalite frequentes podem ser as causadoras da halitose. Pacientes que respiram mais pela boca, não têm selamento labial adequado, o que provoca ressecamento da mucosa e também favorece o mau hálito.


Prevenção e Tratamento
A halitose tem tratamento e cura. Porém, não existe remédio milagroso contra o problema. Melhorar a higiene bucal diária resolve o problema na maioria dos casos. Se a melhora da higienização não for eficaz, o ideal é consultar o dentista para verificar se não há cáries, problemas periodontais (de gengiva), próteses ou restaurações mal adaptadas que podem estar acumulando alimentos.



A manutenção de dieta equilibrada e de uma boa saúde é fundamental. Evitar carne gordurosa e tudo que contenha gordura, como frituras. Deve-se dar preferência ao leite desnatado e ao queijo branco ou ricota, evitar bebidas alcoólicas e o tabagismo.

A alimentação mais fibrosa, como cenoura e maçã, aumenta o fluxo salivar e auxiliam na promoção de uma limpeza nos dentes, gengivas e da superfície da língua.



Beber muita água e manter a higiene bucal caprichada. Os dentes devem ser bem escovados, sempre que necessário, principalmente após cada refeição. A língua deve ser limpa com raspadores específicos ou com a própria escova de dente, a cada escovação de dentes.
Após a escovação dos dentes e o uso do fio dental, fazer bochechos com uma pitada de bicarbonato de sódio, ou anti-sépticos bucais, ajuda bastante.

Também pode ser feita uma estimulação da produção de saliva de uma maneira fisiológica, com balas sem açúcar, gomas de mascar, gotas de suco de limão com um pouco de sal.


No entanto, consultas periódicas ao dentista são essenciais, principalmente para uma higienização mais profissional, única forma de remover o acúmulo de tártaro, principalmente atrás dos dentes inferiores. Informe-se também sobre a maneira correta de escovar seus dentes, a falha pode estar aí.

Também é de grande importância fazer um check up médico regularmente, para ver se está tudo bem com o seu organismo. Em casos em que é diagnosticada alguma doença sistêmica, ou alteração metabólica como o diabetes, o tratamento é feito juntamente com o médico especialista. 



Conseqüências
A simples presença de mau hálito, apesar de não ter grandes repercussões clínicas para a pessoa, pode, na maioria das vezes, provocar sérios prejuízos psicossociais. Os mais comumente relatados são a insegurança ao se aproximar das pessoas, a depressão secundária a isso, dificuldade em estabelecer relações amorosas, resistência ao sorriso, ansiedade, e baixo desempenho profissional, quando o contato com outras pessoas é necessário.


O hálito é uma importante ferramenta de diagnóstico. Dizer respeitosamente à pessoa que o hálito dela está alterado é um benefício que se está fazendo a ela, pode ter um problema sério de saúde (como diabetes ou infecções na gengiva) e ela nem imagina. Mas tome cuidado como dizer, muitas vezes o profissional, dentista ou médico, pode ajudá-lo nesta difícil tarefa.

A forma mais simples de descobrir que a pessoa está com mau hálito se ela mesma não consegue perceber (e as outras pessoas ficam constrangidas em falar) é perguntar para uma criança. As crianças são sinceras, verdadeiras e espontâneas. Se o problema existir, ela dirá a verdade. 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Novo Idoso - Mudanças na sociedade com o aumento da expectativa de vida


O número cada vez menor de filhos e a população cada vez mais urbana mostraram, no último censo, que a população do Brasil está envelhecendo rapidamente. Entretanto, o país não está se preparando, com a mesma velocidade, para o envelhecimento da população.
Nas últimas décadas, o número de pessoas com 60 anos ou mais tem aumentado consideravelmente nos países da América Latina, principalmente em Cuba, Argentina, Uruguai, Chile e Brasil.
As informações levantadas pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) mostram que o número de idosos no Brasil já é um dos maiores do mundo, cerca de 13,5 milhões de pessoas. Os idosos são pessoas que já vivenciaram, em abundância, todas as circunstâncias comuns ao ser humano: vida e morte de familiares e amigos, alegria e tristeza de decisões tomadas. Passaram por situações de perdas irreparáveis na família ou entre amigos por doenças ou imprudências devidas a soberba na condução da vida.

No decorrer dos dias conquistaram o reconhecimento da sociedade. Foram favorecidos, entre outras vantagens instituídas pelo Estatuto do Idoso, com a gratuidade no transporte coletivo urbano, filas preferenciais em bancos e supermercados e vagas exclusivas em estacionamentos.
Os idosos de hoje, vivem mais, se divertem mais, produzem mais, aprendem mais e querem muito mais da vida do que queriam as gerações anteriores.
O aumento da população de idosos é, de fato, uma importante conquista da nossa sociedade. Entretanto, isto gera uma série de novas circunstâncias relacionadas à manutenção da saúde, manutenção de habilidades físicas, cuidados médicos e de enfermagem especiais, além de gerar modificações ambientais, visando sempre os cuidados com o idoso.



Estatísticas


O Brasil possui cerca de 19 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que representa mais de 10% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Há 50 anos a expectativa de vida de um brasileiro era de 43 anos. Hoje essa expectativa está em torno de 68 anos, sendo que para o século XXI deverá chegar a 73 anos.

Segundo o I.B.G.E. nosso país deverá ter a sexta população mais idosa do planeta no ano 2025 com 34 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que representará 14% de nossa população. É o grupo etário que mais cresce no Brasil. 


A distribuição dos idosos segundo os grupos de idade não é homogênea e, embora a expectativa de vida a partir dos 60 anos esteja aumentando, ainda é maior a proporção de pessoas idosas na faixa etária de 60 a 69 anos. Isto demonstra que o processo de envelhecimento da população brasileira, apesar de intenso, ainda é recente, diferenciando-se da situação encontrada nos países desenvolvidos, onde a transição demográfica ocorreu há mais tempo e a população idosa concentra-se, cada vez mais, nas faixas de idade de 80 anos ou mais.

O idoso consumidor


Além de viver mais, os idosos brasileiros também obtiveram melhoria da renda nos últimos dez anos. Mais de 80% das pessoas acima de 60 anos ganham ao menos um salário e a grande maioria recebe aposentadoria e pensões. 


Apesar de estarem aposentados, muitos idosos continuam no mercado de trabalho. Segundo o IBGE, quase 6 milhões de pessoas com mais de 60 anos trabalham, representando 30,9% do total. Mesmo na população com 70 anos, o percentual é significativo: 18,4% têm atividade remunerada.
Não por acaso os idosos são responsáveis pela manutenção de 25% das casas no País e possuem potencial de consumo de R$ 7,5 bilhões, o dobro da média nacional, de acordo com a pesquisa da empresa de consultoria Indicator GFK. 

Os idosos de hoje possuem vida ativa e são consumidores de quase tudo. Precisam de produtos e de atendimento de acordo com suas necessidades e limitações e os especialistas em marketing já perceberam isto. Muitos produtos e serviços são direcionados para este grupo de consumidores, inclusive para vendas pela internet.


 O idoso na rede

Especialistas reunidos no Congresso Mundial sobre Internet (Madri, 2009), enfatizaram o grande interesse de pessoas com mais de 70 anos pela internet. Segundo a professora da Univerdade de Dundee (Escócia) Vicki Hanson, em 2008, só nos Estados Unidos, 45% das pessoas de 70-75 anos já se conectavam à internet. Enviar e receber e-mails é a principal atividade na rede das pessoas acima de 65 anos. Também realizam compras, movimentos bancários e participam das redes de relacionamento social. Os jovens e adultos de hoje serão os idosos de amanhã, então este percentual tende a aumentar, e muito.



O idoso no volante


Com o envelhecimento da população brasileira, estão, a cada ano, surgindo mais idosos motoristas, acima de 70 anos, o que causa certa apreensão aos órgãos públicos ligados a área, aos geriatras e às famílias destes idosos.
Ao contrário do que muitos pensam os idosos não representam uma ameaça no trânsito. Somente 6,2% dos condutores envolvidos em acidentes estão com idade acima dos 55 anos. Já 27,9% dos condutores que causam acidentes estão entre 25 a 34 anos e 24,8% entre 18 a 24 anos, de acordo com dados do DETRAN-SP.
O motorista idoso é considerado educado e cuidadoso, sendo um observador atento às leis de trânsito, sendo pequena a ameaça que estes representam para o trânsito.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), por exemplo, na pessoa com idade entre 70 e 80 anos a flexão no joelho é de 58%, quando nos mais jovens (de 20 a 35 anos), chega a 78%. Além disso, os remédios que o idoso toma podem prejudicar seus reflexos, aumentando o risco de acidentes. 


O idoso nas salas de aula

Os primeiros resultados do Censo do Ensino Superior, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), mostram que a faixa etária dos ingressos no ensino superior que mais cresceu foi a de 50 anos ou mais (23%). Há Universidades que chegam a oferecer descontos de até 50% nas mensalidades.


A cada dia, crescem opções de cursos nas mais variadas áreas e as Universidades nunca estiveram tão lotadas dessa turma ávida por conhecimento, que frequenta a escola, seja como porta de retorno à vida profissional ou apenas pelo prazer de aprender. Eles passam a ser vistos como sábios pela família e se aproximam mais dos jovens.  


A escola passa a ter um papel não só de disseminadora do conhecimento, mas também de agente principal de troca de experiências e oportunidade de convívio entre pessoas diferentes. Sua autoestima fica mais valorizada, sentem-se úteis e capazes de absorverem o aprendizado começam a desenvolver a tomada de consciência do próprio envelhecimento de forma ativa, bem-sucedido e com uma boa qualidade de vida.


A saúde do idoso

O envelhecimento da população é reflexo de um conjunto de fatores, principalmente, dos avanços da medicina moderna, que permitiram melhores condições de saúde à população com idade mais avançada, fato que repete em vários países.

Com o aumento a esperança de vida, cresce também a importância das doenças de caráter crônico-degenerativo como principais causas de morte, tais como as do aparelho circulatório, os neoplasmas (câncer) e o diabetes, acarretando um aumento na longevidade das pessoas e no peso relativo dos idosos no total da população.


Preconceito e Despreparo

Infelizmente nossa sociedade ainda é despreparada para respeitar os idosos e para aceitar que a velhice faz parte da vida e que todos iremos envelhecer: você, eu, todos nós. Nem prestamos atenção nos numerosos os obstáculos que a pessoa idosa enfrenta para viver e transitar nas cidades brasileiras diariamente.

No Japão, onde a velhice está associada à sabedoria, pessoas com mais de 65 anos, consideradas idosas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), desenvolvem atividades intelectuais e produtivas sem despertar os olhares preconceituosos dos que estão ao redor. E mais: o governo japonês, inclusive, tem adotado medidas para encorajar os idosos a continuar integrando a força de trabalho. Segundo noticiou recentemente a BBC Brasil, a idéia é “vê-los como um recurso e não um encargo – mão-de-obra valiosa ao invés de pessoas que precisam apenas de apoio e cuidados”.


No Brasil, os estudos existentes sobre o tema da terceira idade são poucos e têm apontado, de forma recorrente, que o processo de envelhecimento da população brasileira é considerado irreversível. 




Mudanças na sociedade brasileira com o aumento da expectativa de vida já estão acontecendo... 





quarta-feira, 23 de março de 2011

Você viveria sua vida de novo?



 


Saramago afirma que sim, viveria, repetidamente, sua vida de novo, da forma exata como foi. Mas quantas pessoas diriam "sim" à pergunta? Não sei entre meus parentes e amigos.

Eu mesma gostaria de editar novamente alguns capítulos de minha vida. Acho que num ponto ou noutro eu remendaria uns espaços em branco. Umas tantas incompreensões seriam revisadas. Algumas páginas eu gostaria de fazer uma releitura com o ponto de vista que tenho hoje. Outros momento, repetiria mais vezes, com mais intensidade, paixão, doação.

Não é fácil responder se faria tudo outra vez. Tudo, acredito que não. Não é que esteja errado. Foi o melhor que pude fazer naquela época, naquela situação. Eu não sabia fazer melhor que isso. Mas porque não tomamos o caminho certo? Nem sempre é questão de enxergar o caminho apenas. O que é o certo?



"E se" é sempre difícil de responder. Mas dá gosto pensar "e se" de vez em quando. Para Paulo Leminski, autor curitibano, "ninguém nunca chegou atrasado". A gente está onde deve estar naquele momento. Assim fica mais fácil viver. Tinha que ser daquele jeito, pelo menos naquela hora.

Mudando o passado, o “The End” não seria o mesmo. Seria um outro, melhor? Difícil saber. A nossa história mudaria toda. Deixaríamos de conhecer pessoas incríveis também. 
"Não há fatos eternos como não há verdades absolutas": Nietzsche nos convida a viver de tal modo que nem os arrependimentos nem os remorsos tenham mais nenhum espaço, nenhum sentido.



Quantas vezes quisemos ver mais adiante para ver se valia a pena aquele caminho, aquela escolha?

Diante do meu notebook, posso ver se a disposição dos armários ficará boa ou se caberão todos os móveis na casa nova. Seria tão bom se existisse uma tecla "undo", o desfazer, na vida também. A gente tenta acertar, buscar a felicidade. Muitas vezes acertamos sim. Mas nem sempre. É assim mesmo. Essa é a beleza da vida. Afinal, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". (Caetano Veloso). 

O filme Efeito Borboleta é assim. A Dona da História também. Faz a gente pensar além do filme. Lembrar que tudo são escolhas e que cada detalhe nos leva a um caminho, a um longo caminho. Para todo “sim” existe um “não”. Para toda escolha você abre mão de alguma coisa, senão não seria uma escolha. Não dá para ter tudo o tempo todo. É a vida.



Eu não sei se viveria tudo de novo, do mesmo jeitinho. Eu compraria aquela passagem? Naquele dia? Para aquele lugar? Eu diria aquele sim ou aceitaria aquele convite? E aquele beijo? Viajaria para o Alasca, Austrália? Permaneceria quieta? Deixaria de ir?

A vida boa é a que consegue viver o instante sem referência nem ao passado nem ao futuro, sem condenação pessoal, com leveza absoluta, com o sentimento perfeito de que não há mais diferença real entre o passado e a eternidade. (Nietzsche)

Pensa no seu presente. Nas pessoas que você ama. Faz o bem para todos, sem distinção. Consequências virão. Boas ou ruins. Mas você fez o melhor que podia, pelo menos no momento que está vivendo.  Se você não fez melhor, é porque não deu. É porque você não estava preparado ainda ou porque havia outras variáveis na equação, e você não tinha essa HP 50 g que tem hoje. Talvez agora você nem se lembre mais desse detalhe.  Se perdoe. 

“Lembra-te de que cada um de nós só vive no momento presente, no instante. O resto é passado, ou o obscuro futuro. Pequena é, pois, a extensão da vida.” (Marco Aurélio)




Por Luciana Belomo Yamaguchi. Baseado no texto de Ana Elisa Ribeiro, Digestivo Cultural, e no livro Aprender a Viver - Filosofia para os novos tempos, de Luc Ferry.